terça-feira, 22 de abril de 2014

Um, dois, três

Acho que vou desistir. 
Desistir de tentar desistir de você. 

Cada vez que eu me afasto um pouco de você, você se aproxima de mim. A cada pedaço seu que tiro de mim, você descobre um jeito de colocá-lo de volta. Não importa quantas lágrimas eu derrube ou quantos amigos eu procure. No fundo eu sei somos, bem, nós. 
Adoro nos classificar como nós. Em todos seus sentidos. Nós de eu e você. Nós de nó no plural. Somos algumas amarrações que adoram ser desamarradas e depois apertadas com um nó forte. Somos menos poéticos do que isso, mas essa é a definição que dou a nós.
Milhares de mensagens foram trocadas sobre o mesmo assunto. Toda vez eu digo que ninguém nos conhece tão bem como nós. Não há como saber por todos os males que passamos e por todos os sorrisos e gozos compartilhados em 8 (quase 9) meses.
Não dá pra explicar as vontades sem hora e lugar. E nem todas as sextas-feiras suadas e muito menos cada encontro para resolvermos algo. E também como seu colo e seus braços me acolheram e confortaram no momento mais desesperador da minha vida. Em como eu me desculpei pela camisa molhada de lágrimas e como naquele dia, você foi tudo que eu precisava. 
Eu tenho um, dois, três.
Mas nenhum deles tem o bigode grande o suficiente pra eu enrolar enquanto jogo conversa fora e nem um cavanhaque em que eu passe minhas unhas compridas por para acariciar. Eles não precisam de alguma coisa no meio das pernas pra dormir abraçados e não me fazem virar sanduíche quando só a minha perna não é o suficiente.
Percebi esses dias que os três juntos não dão o tom da sua cor e o jeito que você sorri. Que nenhum toca guitarra, violão, baixo e bateria e reclama de dor no pescoço depois de um mosh pit. Estranhei como o conforto dos seus braços não chegam ao que eu tenho quando eu entrelaço o meu no seu.
Um, dois, três.
E nenhum me faz gritar.
Um, dois, três.
Nenhum é você.