sexta-feira, 27 de junho de 2014

Officially replaced

"Agora você sabe oficialmente..." 

Eu mal havia aberto meus olhos e eles já se inundavam em lágrimas. Meu coração apertou e as únicas palavras que saiam da minha boca foram "Eu não aguento mais". 
Só eu entendi a dor de saber que meu lugar tinha sido, oficialmente, substituído. Talvez por alguém n vezes melhor e que faça todas as memórias comigo, desaparecerem. Assim como o sentimento que tivemos e as alegrias e suores que compartilhamos, que agora você compartilha com outra pessoa. Uma que me fará sumir. 
Se colocarmos na ponta do papel, não há sentido pelo qual ainda nos falamos todos os dias. Como eu já havia dito, você era tudo pra mim e eu para você. Parece que só um de nós manteve o sentimento. Eu fui fragmentada em outras enquanto eu só tinha mais contras do que prós. 
Acho que tem medo de perder a pessoa que vira o mundo de cabeça pra baixo por você. Que sentimento egoísta! Eu, que sinto dores pelas várias partes de meu corpo, não valho nada mais que qualquer uma que cruzar seu olhar numa sexta-feira a noite. Não. Elas com certeza seriam tratadas com respeito e carinho. 

Isso é mais um desabafo do que um texto bem escrito. Um desabafo do que eu passo por você e da falta de reciprocidade em tudo. Tudo. Você mal se preocupa comigo e quando o faz, não dura mais do que 1 minuto. Sua falta de insistência me deixa puta e me faz querer chorar.
Não tem alguma coisa que você faça que não me faça ter vontade de cair em lágrimas e pedir para quem estiver ouvindo, que faça passar a dor que sinto com você por perto. Mas é incrível a dor da abstinência. Nunca tive vício algum e de repente, você virou um. Te ter por perto é doloroso, mas te ter longe me leva a loucura. A loucura que eu mesma crio. Que toda e qualquer imagem que meu cérebro possa criar já sirva de dor. 

Você me mudou e não foi para melhor. Me tornou uma pessoa dependente e tirou de mim meu orgulho, meu pensar frio ao maltrato e a minha força de dizer não pela falta de respeito. Sinto que em mim, a única coisa que sobrou foi você. O resto foi arrancado e jogado aos mares, aos ventos; jogado para qualquer lugar fora de meu alcance. Porque além de você, o que sinto é impotência. E não fumei cigarros o suficiente para isso.

Quero acredita em karma e que todas as coisas que fez comigo terão troca. E que ela seja em forma de saudade bruta e arrependimento doloroso. Que eu possa te olhar por cima do ombro e sentir que toda minha dor foi recompensada em algum momento de nossas vida. Me recuso a acreditar que você sairá ileso de todo mal que me causou e de todo amor e carinho que você nunca soube usar. Se eu não acreditar em karma... Ah, querido... 




terça-feira, 10 de junho de 2014

Falemos um pouco da permanência

s.f. Ação de permanecer.
Estado do que é permanente.
Duração constante, continuação. 

Apaixonada por abismos, me vejo a beira de um. Daqueles tão altos e profundos que ao se jogar, há tempo o suficiente para retomar cada detalhe durante meus 20 e tantos anos. Anos tão intensamente vividos. Vívidos. Intensidade a qual é consequência da permanência de marcas deixadas em minhas camadas de pele. 
Ah! Quem dera aqueles, aquelas, aquilos soltassem-se de mim com a mesma facilidade das células que perco diariamente em meu corpo. Corpo o qual é constituído de 70% de água e que o deixam em formas de várias dúzias de lágrimas ao sentir sua permanência em meus 206 ossos. 
E eu, que apaixonada por coisas profundas, me deparei com a total contrariedade de sua constância em mim. Nós. Sim, nós tão efêmeros. Eu tão abundante e você tão raso. 

Apaixonada por abismos, me vejo como um. Profundo o suficiente para que haja tempo para se perder em mim e nos mistérios que escondo por trás de minhas córneas. Mistérios os quais enlouquecem meus nervos motores e sensitivos. 
E você tornou-se parte de um a medida que tornou-se parte de mim. Mas deixe que meu sistema nervoso se sobrecarregue dado que a loucura está em contradições e não em respostas. Suas certezas acalmam meu hemisfério esquerdo que há tanto lutam por um resultado final, porém atrofiam meu hemisfério direito que se alimenta de incertezas para te tornar uma. Mas não.

Apaixonada por abismos, caí em um. Desta vez ele é parecido com você, raso. Não há mistérios e meu hemisfério esquerdo sorri, pois a certeza é apenas uma. A certeza de minha queda é igual a de sua constância em mim. 

Permanente.