Estado do que é permanente.
Duração constante, continuação.
Apaixonada por abismos, me vejo a beira de um. Daqueles tão altos e profundos que ao se jogar, há tempo o suficiente para retomar cada detalhe durante meus 20 e tantos anos. Anos tão intensamente vividos. Vívidos. Intensidade a qual é consequência da permanência de marcas deixadas em minhas camadas de pele.
Ah! Quem dera aqueles, aquelas, aquilos soltassem-se de mim com a mesma facilidade das células que perco diariamente em meu corpo. Corpo o qual é constituído de 70% de água e que o deixam em formas de várias dúzias de lágrimas ao sentir sua permanência em meus 206 ossos.
E eu, que apaixonada por coisas profundas, me deparei com a total contrariedade de sua constância em mim. Nós. Sim, nós tão efêmeros. Eu tão abundante e você tão raso.
Apaixonada por abismos, me vejo como um. Profundo o suficiente para que haja tempo para se perder em mim e nos mistérios que escondo por trás de minhas córneas. Mistérios os quais enlouquecem meus nervos motores e sensitivos.
E você tornou-se parte de um a medida que tornou-se parte de mim. Mas deixe que meu sistema nervoso se sobrecarregue dado que a loucura está em contradições e não em respostas. Suas certezas acalmam meu hemisfério esquerdo que há tanto lutam por um resultado final, porém atrofiam meu hemisfério direito que se alimenta de incertezas para te tornar uma. Mas não.
Apaixonada por abismos, caí em um. Desta vez ele é parecido com você, raso. Não há mistérios e meu hemisfério esquerdo sorri, pois a certeza é apenas uma. A certeza de minha queda é igual a de sua constância em mim.
Permanente.
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