Boa noite
É tanto uma honra quanto um desafio ser a responsável por
transcrever 3, 5 ou até 10 anos em algumas palavras essa noite. Esta, talvez,
uma tarefa impossível já que não vejo modo justo de representar nosso tempo
juntos. Tempo que nos levam a passar a maior parte de nossos dias com pessoas
tão diferentes de nós, mas que com o passar dos dias, a convivência deixa de
ser uma obrigação e se torna um conforto que nos salvou de longas horas de aula
e fez com que compartilhassemos histórias e risos todos os dias.
15 pessoas que dividem não só o mesmo espaço, mas a mesma
fase na vida, as mesmas preocupações e dividem, sobretudo, seis dúzias de
piadas que só elas entendem. Que, para descontrair, não só cantaram, mas
criaram gritos de guerra e músicas como Dánilo. Transformaram intervalos em
pique-niques, viraram hippies, rockeiros, filmes e colocaram o material em
balde e a partir de segredos contatos, a pergunta “nenhuma?” foi feita em algum
momento do dia.
Por mais que tivéssemos que lutar contra o sono e acordar
cedo, vai ser difícil não sentir saudades quando, no final de janeiro, já não
tivermos mais que colocar uniforme ou fazer o caminho até a escola para nos
encontrarmos com aquelas caras de “eu quero mais férias”. Vamos sentir falta da
nossa sala de aula quando entrarmos pela primeira vez em outra e não vermos os
rostos que tanto nos acostumamos a ver ou quando vermos algo engraçado e não
pudermos apenas virar para o lado e compartilhar ou só responder “sim, temos
x-burguer.”
Lembraremos das várias histórias com professores fotógrafos,
amantes de praia ou que parecem o Rafinha Bastos. Ficaremos com saudade de
ouvir os bom dias da Márcia logo às 7h da manhã ou de voltarmos a infância com
morto-vivo. Também de aprender novos provérbios ou ficamos nervosos com provas
de matemática. Não iremos enrolar em um portunhol com “espanhol és facito” ou
rir com Friends. Não vamos mais nos assustar com os tapas na porta do Fábio ou
ouvir seus monólogos e imitações ótimas e falando em imitações, crepúsculo
nunca mais será o mesmo e a palavra “látex” nunca mais soará igual para nós.
O pouco desses 3 últimos anos que consegui transcrever
mostra que cada pessoa que passa por nós nos marca em algum ponto. Que você não
é mais o mesmo após passar por cada um desses 15 alunos ou corpo docente porque
cada um deles te mostrou algo novo e de um jeito ou de outro te mudou. Então,
que a partir de agora acumulemos amigos, experiências, risos e também saudades
daqueles que já passaram para que possamos sempre estar em constante mudança
para também mudarmos os outros por onde passarmos.
É difícil acreditar que o dia que todos nós esperávamos
chegou. Chegou e trouxe com ele aqueles que tanto nos apoiaram durante esses
anos, família, amigos, professores e coordenação. À eles, obrigado. E que
façamos dessa noite uma noite para se comemorar o resultado dos anos de
trabalho de todos nós e deixemos de lado a tristeza da despedida até porque sem
elas, não teríamos o prazer do reencontro.
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